Trabalhos 2025/2026

Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto (Porto)

Atividade:  Painel dos Alimentos: Sal

Escalão: 3.º Escalão: ensino secundário, profissional e superior

Resultados dos inquéritos, produtos selecionados?
Com o objetivo de conhecer os hábitos alimentares e a perceção da comunidade académica relativamente ao consumo de sal, foi aplicado um questionário online, ao qual responderam 43 elementos da comunidade académica da E2S | P.PORTO.
A análise dos resultados revelou que a maioria dos participantes (67,4%) considera não consumir sal em excesso. No entanto, apenas 16,3% afirmaram conhecer a quantidade máxima diária de sal recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o que evidencia a necessidade de reforçar a sensibilização e a literacia alimentar nesta área. Verificou-se ainda que uma parte significativa dos participantes consome regularmente alimentos reconhecidos pelo seu elevado teor de sal.
Com base nos resultados obtidos e nos alimentos avaliados no questionário, foram selecionados para integrar o painel os seguintes produtos:
- Pão;
- Batatas fritas e snacks;
- Enchidos e carnes processadas;
- Molhos industrializados;
- Conservas e produtos enlatados.
A escolha destes alimentos deveu-se à sua presença frequente na alimentação dos participantes e ao seu potencial contributo para a ingestão excessiva de sal. Através da representação visual da quantidade de sal presente em cada alimento, pretendeu-se sensibilizar a comunidade académica para a importância da leitura dos rótulos nutricionais e da adoção de escolhas alimentares mais saudáveis.
Os resultados do questionário foram igualmente incorporados no painel, permitindo relacionar os hábitos alimentares identificados com os conteúdos apresentados e reforçar a mensagem de promoção da saúde e prevenção de doenças associadas ao consumo excessivo de sal.

Pesquisa e investigação sobre o consumo excessivo de sal:
1. Definição e composição do sal
O sal na alimentação refere-se principalmente ao cloreto de sódio (NaCl), um composto iónico constituído por aproximadamente 40% de sódio e 60% de cloro, que representa a principal fonte de sódio na dieta humana estando, naturalmente, presentes em diversos alimentos, incluindo alimentos processados, mesmo quando o sabor salgado não é evidente (Moreira et al., 2018; Organização Mundial de Saúde (OMS), 2023).
O sódio é um nutriente essencial para a homeostasia do organismo, desempenhando funções fisiológicas fundamentais, tais como a manutenção do equilíbrio hídrico e eletrolítico, a transmissão de impulsos nervosos, a contração muscular e a função celular (Ordem do Farmacêuticos, 2024; OMS, 2023).
2. Recomendação diária de consumo de sal
A OMS recomenda que a ingestão diária máxima de sal em adultos não ultrapasse 5 g por dia, o que corresponde a cerca de 2000 mg de sódio, incluindo tanto o sal adicionado durante a confeção como o sódio naturalmente presente e o incorporado nos alimentos processado (Ordem do Farmacêuticos, 2024).
3. Importância de reduzir o consumo excessivo de sal
Embora o sal seja indispensável ao funcionamento do organismo, a ingestão excessiva e crónica de sódio está associada a múltiplos efeitos adversos para a saúde, constituindo um importante problema de saúde pública. Entre os principais riscos associados ao consumo excessivo de sal destacam-se (OMS, 2023):
• Hipertensão arterial: o sódio promove a retenção de água no organismo aumentando o volume intravascular e, consequentemente, a pressão arterial sistémica;
• Doenças cardiovasculares: a hipertensão é o maior fator de risco para enfarte agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral;
• Compromisso da função renal: o excesso de sódio pode sobrecarregar os rins, contribuindo para a progressão da doença renal crónica;
• Saúde óssea: o consumo excessivo de sal pode aumentar a excreção urinária de cálcio, com impacto negativo na densidade mineral óssea a longo prazo;
• Risco acrescido de determinados tipos de cancro: as dietas ricas em sal estão associadas a um maior risco de cancro gástrico, entre outros.
Em Portugal, a ingestão média diária de sal ultrapassa significativamente as recomendações da OMS, o que contribui para a elevada prevalência (36%) de hipertensão arterial e doenças cardiovasculares no país, sendo a principal causa de morte (Santos et al., 2023).
4. Fontes de sal na alimentação
Conforme descrito pela Ordem dos Farmacêuticos, as principais fontes dietéticas de sal incluem alimentos que muitas vezes não têm sabor salgado, como (Ordem dos Farmacêuticos, 2024):
• Refeições congeladas e sopas instantâneas;
• Alimentos defumados e curados;
• Carnes processadas (ex.: enchidos, salsichas);
• Produtos enlatados e em conserva;
• Molhos industriais e condimentos (ex.: ketchup, mostarda);
• Batatas fritas de pacote e outros snacks salgados;
• Alguns queijos e lacticínios;
• Pão;
• Cereais processados.
A informação acima apresentada demonstra que a maior parte do sal ingerido provém da composição intrínseca dos alimentos industrializados, e não exclusivamente da adição de sal durante a confeção doméstica.
5. Dados nacionais e internacionais
Com base nos dados apresentados, observa-se uma variação significativa no consumo médio diário de sal entre os diferentes países. Malta e Estónia registam os valores mais baixos, com consumos inferiores a 5,5 g por dia, aproximando-se das recomendações da OMS, que sugere um limite máximo de 5 g diárias. Por sua vez, a Finlândia e a Suécia apresentam valores intermédios, entre 7,5 e 8 g por dia, refletindo hábitos alimentares mais controlados, possivelmente associados a políticas de saúde pública e maior conscientização nutricional (Kwong et al., 2022).
Contudo, os países como França, Reino Unido, Itália e Espanha encontram-se numa faixa moderada a elevada, com consumos entre 8 g e quase 10 g diários. Este valor indica, que, apesar de alguma atenção à alimentação, o consumo de sal ainda ultrapassa o recomendado. A Alemanha, Portugal e Grécia apresentam consumos superiores a 10 g por dia, evidenciando um padrão alimentar rico em sal, podendo estar associado ao consumo de produtos processados, pão e refeições tradicionais mais condimentadas (Kwong et al., 2022).
Os valores mais elevados observam-se na Croácia, Ucrânia, Turquia e, sobretudo, no Cazaquistão, que apresenta um consumo médio diário muito elevado (17,24g). Estes níveis representam um risco acrescido para a saúde, uma vez que o excesso de sal está fortemente associado ao aumento da pressão arterial e ao risco de doenças cardiovasculares (Kwong et al., 2022).
6. Referências Bibliográficas
Kwong, E. et al. (2022). Population-level salt intake in the WHO European Region in 2022: a systematic review. https://doi.org/10.1017/s136898002200218x
Moreira, P. et al. (2018). Sodium and potassium urinary excretion and their ratio in the elderly: results from the Nutrition UP 65 study. http://dx.doi.org/10.29219/fnr.v62.1288
Ordem dos Farmacêuticos. (2024). Sal na Alimentação. https://www.ordemfarmaceuticos.pt/pt/artigos/sal-na-alimentacao/
Santos, T. et al. (2023). HIPERTENSÃO ARTERIAL EM PORTUGAL! O CUSTO DO CONTROLO. https://revistahipertensao.pt/index.php/rh/article/view/51
Organização Mundial de Saúde (OMS). (2023). WHO Global Report on Sodium Intake Reduction. ISBN 978-92-4-006998-5

Memória descritiva:
Objetivo:
O painel foi desenvolvido no âmbito do Programa Eco-Escolas e do desafio "Painel dos Alimentos", promovido pela ABAAE, com o objetivo de sensibilizar a comunidade académica da Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto (E2S | P.PORTO) para a importância de uma alimentação saudável e para os riscos associados ao consumo excessivo de sal.
Através da apresentação visual da quantidade de sal presente em diferentes alimentos de consumo habitual e dos resultados de um questionário aplicado à comunidade académica, pretendeu-se alertar para a presença frequentemente subestimada deste nutriente na alimentação diária, promovendo escolhas alimentares mais conscientes e saudáveis.
Características do Painel:
Dimensões
- 102,5 cm × 100 cm.
Materiais Utilizados
- Cartolina preta;
- Sal;
- Frascos de vidro;
- Fotografias impressas dos alimentos selecionados;
- Canetas, marcadores e lápis de cor;
- Cola quente;
- Papel e materiais de apoio para impressão e decoração.
Conteúdos Incluídos:
O painel integra os seguintes elementos:
- Representação visual da quantidade de sal presente em diferentes alimentos;
- Resultados do questionário realizado à comunidade académica sobre o conhecimento do teor de sal em alimentos comuns;
- Informação sobre os riscos para a saúde associados ao consumo excessivo de sal;
- Mensagens de sensibilização para a redução do consumo de sal;
- Sugestões de alternativas e hábitos alimentares mais saudáveis.
Local de Afixação:
O painel encontra-se afixado no espaço Eco-Escolas da E2S | P.PORTO, localizado junto ao bar da escola, uma zona de elevada circulação da comunidade académica. Prevê-se a sua exposição até ao final do primeiro semestre do próximo ano letivo, de forma a maximizar o seu impacto educativo e sensibilizador.
Envolvimento dos Estudantes e Docentes:
Os estudantes membros do Conselho Eco-Escolas participaram ativamente em todas as fases do projeto, incluindo a pesquisa e recolha de informação científica sobre o consumo excessivo de sal, a elaboração e divulgação do questionário à comunidade académica, a análise dos resultados obtidos, bem como a conceção, construção e montagem do painel.
O projeto contou igualmente com a colaboração de docentes da E2S | P.PORTO, nomeadamente das áreas do CTeSP em Controlo e Qualidade Alimentar e da Licenciatura em Saúde Ambiental, que apoiaram a componente científica e pedagógica da iniciativa.
Este trabalho constituiu uma oportunidade de aprendizagem ativa, promovendo a literacia alimentar, o trabalho colaborativo e a consciencialização para a adoção de estilos de vida mais saudáveis e sustentáveis.

Registo fotográfico:

Inquéritos realizados: